A obra de Fernand Braudel (1902-1985), o grande historiador econômico francês, celebra o poder dos mercados no desenvolvimento da civilização. Braudel foi um dos jovens estudiosos franceses que vieram ao Brasil em 1935 para ajudar a fundar a Universidade de São Paulo. Aqui permaneceu por três anos e viu um país ainda cru mas vibrante, que lhe deixou profunda impressão pelo resto da vida. Meio século depois, recordava daquele Brasil como "um pais em fermentação. Não havia nação e, sobretudo, não havia um Estado brasileiro". Ele aprendeu que o capitalismo era limitado e frágil na ausência de apoio do Estado. "O capitalismo triunfa apenas quando se identifica com o Estado, quando é o Estado". O argumento de Braudel tinha por base exemplos históricos de Estados capitalistas como Veneza, Holanda, Inglaterra e Estados Unidos.
O Mediterrâneo estudado por Braudel, de 500 anos atrás, foi a primeira economia mundial moderna, transformada em espaço de interações por rápidos avanços na tecnologia militar e naval. Braudel chamou a economia mundial de "a superficie de vibrações mais ampla possível...que cria uma uniformidade de preços numa área vasta, como um sistema arterial que distribui sangue através de um organismo vivo. É uma estrutura em si mesma." Entretanto, o papel do capitalismo nessa estrutura era privilegiado e limitado. Em seu livro "As Rodas do Comércio" (1979), Braudel escreveu que "o capitalismo no passado, diferentemente do atual, ocupou apenas uma estreita plataforma da vida econômica. Se elegeu certas áreas como residência é porque eram as únicas que favoreciam a reprodução do capital". Entretanto, no início do século XX, o capitalismo foi sendo adaptado às exigências de nacionalismos e bem-estar social de tal forma que suas operações foram-se afastando progressivamente dos princípios do mercado.
O Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial foi criado para estudar os meios e condições de fortalecimento das forças de mercado como um instrumento de sobrevivência na economia mundial.